Dia da Consciência Negra – Projeto Multidisciplinar Diga Não ao Racismo

Dia da Consciência Negra – Projeto Multidisciplinar Diga Não ao Racismo

Quando, no começo do ano letivo, o Ícone Colégio e Curso deu início ao seu primeiro projeto multidisciplinar, não imaginávamos que colheríamos tantos frutos e que teríamos inúmeras discussões frutuosas como tivemos. Foi um ano intenso, repleto de atividades e celebrações que têm hoje a sua culminância, quando celebramos o Dia da Consciência Negra.

Em 2018, celebramos os 100 anos do nascimento de Nelson Mandela e os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e lembramos os 50 anos da morte de Martin Luther King. E essas datas não passaram em branco. Nossos alunos, orientados pela nossa brilhante equipe de professores, realizaram ações que celebraram e homenagearam Mandela e Luther King e refletiram sobre os artigos da DUDH.

No mês dedicado às mulheres, nossos alunos refletiram sobre mulheres negras, do passado e do presente, que foram e são importantes na luta contra o racismo.

Em setembro, nosso projeto atingiu o ápice com a palestra do ator e escritor Lázaro Ramos. Os alunos tiveram contato com o livro “Na minha pele” e puderam interagir com o autor em um encontro que, com certeza, ficou marcado na memória de todos nós – alunos, professores, funcionários, coordenadores e direção.

É triste perceber que ainda em nosso país, mesmo passados mais de 120 anos do fim da escravidão, a população negra ainda vive em outro regime de escravidão – ainda mais enraizado em nossa cultura: o preconceito. Direitos são negados e faltam oportunidades, a liberdade e igualdade ainda são sonhos a realizar.

Por isso, a frase de Mahatma Gandhi que norteou o Projeto DIGA NÃO AO RACISMO ainda continua nos guiando: “seja a mudança que queremos ver no mundo”. Um mundo livre do mal do racismo começa com as nossas ações, começa com a nossa saída da zona de conforto, começa em nós. É uma luta de todos. Encerramos o Projeto, mas não encerramos a luta, pois agora nossa esperança reside na colheita dos frutos cujas sementes foram lançadas ao longo desse ano, na esperança que nossos alunos sejam os construtores dessa sociedade onde o racismo seja apenas uma página virada em nossa história.

Vagner Lima
Coordenador

Colégio Ícone realiza aulão pré-ENEM com formato inovador

Colégio Ícone realiza aulão pré-ENEM com formato inovador

Música, vídeos e show de stand up fizeram parte do evento que teve como uma das atrações o comediante Victor Sarro

Às vésperas do Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, o Colégio Ícone realizou no Kinoplex do Via Parque um aulão que contou com a participação de aproximadamente 40 professores, 300 estudantes do ensino médio além dos alunos que fazem parte apenas do pré-vestibular. Quem também esteve presente como atração especial foi o comediante Victor Sarro, o qual realizou um show de stand up que compôs um evento de alegria, expectativas e boas lembranças para o futuro.

Um dos principais objetivos do evento foi acalmar os ânimos através de vídeos, apresentações musicais, ao mesmo tempo em que era realizada uma revisão abrangendo questões de inglês, espanhol, português, história, sociologia, artes, geografia, filosofia e redação, por exemplo. Em sua fala durante a abertura, o diretor Mateus Lima agradeceu a presença de todos nesse dia importante para o colégio e enalteceu o trabalho empenhado pelo corpo docente, em especial o coordenador Thiago Coutinho.

Ele também afirmou que este dia será perpetuado como uma lembrança especial: “Temos muitas horas de trabalho de cada professor, de cada coordenador, principalmente do Coutinho. Gostaria de agradecer em nome do Ícone a cada um de vocês por fazerem parte desse momento. Eu fico imaginando daqui a 30, 40 anos, vocês sentados na mesa com seus netos e eles perguntando como foi prestar o vestibular. Talvez da boca de vocês surja ‘eu estudei no colégio Ícone’ e para nós é uma honra proporcionar ferramentas para vocês estarem competindo com alunos de todo o Brasil. Fazer parte desse momento da história de vocês é sim uma gratidão”, conclui.

Psicóloga do Ícone, Renata Rocha explica de que maneira o aulão contribui para o psicológico dos alunos: Eles já tem um ano de muita ansiedade, uma carga emocional muito grande, então um dia antes dessa prova, a qual é a concretização de todo um trabalho que eles tiveram durante o ano, é importante a gente separar um momento para eles rirem, se divertirem, cantarem junto com a gente e interagirem. Isso ajuda a eliminar aquela expectativa grande e baixa o nível dessa ansiedade para que eles possam ir pra prova com força total!”, reforça Renata.

Durante sua apresentação, a psicóloga apresentou uma cena do filme “Desafiando Gigantes” (2006), a fim de ilustrar os conceitos de resistências física e emocional. “Da mesma forma que havia o treinador dizendo ‘eu sei que está difícil, sei que está doendo e você não aguenta mas continua’, amanhã vocês precisam ouvir a voz de todos os professores que estiveram presentes durante o ano inteiro e também estarão mandando energias positivas no ENEM. Não desistam: o cansaço vai bater, a insegurança vai falar mais alto, mas vcs precisam ouvir a voz do coração e da razão dizendo ‘continua, vai dar tudo certo’”, conclui emocionada.

O coordenador Thiago Coutinho conta que é o segundo ano em que é feito o aulão em um cinema com esse formato e destaca a forma como o Ícone vem crescendo. “A gente acredita muito no que faz. Por isso, em 2015 com pouquíssima expectativa, em uma turma de 18 alunos aprovamos seis alunos no vestibular; em 2016 com uma turma em torno de 55 estudantes, houve aprovação de 15 ou 16 alunos. A gente acreditava muito em 2017 com a turma que seria nossa primeira turma de terceiro ano integralmente do Ícone e de 84 alunos, me orgulho em dizer que no final chegamos a 57 aprovações. Nada disso seria possível sem o auxilio da coordenação do fundamental, do médio, da direção e principalmente de quem está sentado aqui”, aponta para os professores.

Ele também fala um pouco sobre o que leva a construir essa iniciativa: “A gente acha que tem que ter esse momento, uma catarse coletiva, botar para fora as emoções, rir um pouco, por isso a ideia de trazer o Victor, enfim, fazer um momento de relaxamento e um abraço: pegar esse aluno no colo até o dia da prova”, conclui.

O comediante Victor Sarra trouxe descontração e muita risada com piadas sobre os mais variados temas: desde os estudos até mesmo situações engraçadas do cotidiano. Surpreso, ele afirma que é a primeira vez que vê uma iniciativa desse tipo. “É muito interessante ter um colégio que convida alunos a um aulão. Pude ver aqui hoje o carinho de todos os funcionários incentivando esses jovens a ir bem no ENEM e mostrando que a escola acredita neles. Isso é fundamental. Eu nunca vi um colégio fazer um aulão pré ENEM com vídeos, entusiasmo, com todos os professores presentes querendo que eles passem e incentivando a ter um futuro melhor. Eu acho incrível, estou muito contente por fazer parte disso”.

Victor também conta de que forma ele espera ter contribuído para esse momento importante para os alunos presentes no aulão: Eu espero que cheguem lá relaxados, confiantes, e espero que eles entendam o recado de que tem que ter amor no que faz. Não tive a oportunidade que eles tiveram e achei incrível a chance dos alunos terem uma aula pré-ENEM, poder ter um comediante divertindo eles. Peço que aproveitem ao máximo, façam tudo com amor independente da profissão que escolherem.”

E por falar em escolher a profissão, Júlia Ferreira, estudante do pré-vestibular (unidade Taquara) que espera conseguir passar para o curso de Medicina, conta a importância desse aulão e de que forma contribuiu para esse momento tão importante. “A escola tem um carinho com os alunos que traz um tom de família, que tem apoio sempre que você precisar, seja conversando eu acho que esse apoio foi fundamental. Espero passar para medicina!”, afirma ansiosa.

Já o Marcelo Rodrigues do terceiro ano da mesma unidade, reforça a importância da presença do corpo docente. “O aulão foi bom porque relembra um pouco do que aprendi durante o ano, deixa a gente um pouco mais calmo para fazer a prova, então é muito bom isso aqui porque você tem seus professores ali com você e torcendo por você e isso ajuda muito, acredito que deixe muito mais calmo”, conta.

Victoria Mairink deseja cursar Odontologia e está no terceiro ano da unidade Pechincha. Ela conta como se sentiu durante o evento: “Eu gostei muito porque o colégio Ícone é muito acolhedor então ele dá o total preparo para a gente e tira o nosso nervosismo. É muito bom e vou sentir muita falta disso aqui no ano que vem”, conclui.

O colégio Ícone tem como uma de suas metas para os próximos anos tornar uma tradição o aulão pré-ENEM nesse formato inovador. Uma boa iniciativa, não é mesmo?

 

 

Ícone Colégio e Curso encerra Projeto Redação na Ribalta

Ícone Colégio e Curso encerra Projeto Redação na Ribalta

Na noite do dia 3 de outubro de 2018, a casa de eventos Ribalta foi o palco dos alunos do Ícone Colégio e Curso das unidades Taquara e Pechincha. Aproximadamente 2100 pessoas, entre alunos, pais e professores, participaram do evento de encerramento do projeto redação do ano, que refletiu sobre as transformações e impactos positivos e negativos da tecnologia e constante conectividade das pessoas de nossa sociedade.

“É algo novo, inspirador. Tá me inspirando cada dia mais a seguir o que eu quero: a dança. O Ícone me proporcionou várias experiências que eu não teria vivido e eu sou muito grato por isso. Estar aqui no Ribalta é algo supervalioso, porque eu nunca passei por isso. É uma coisa nova e eu estou muito feliz”, diz Guilherme Rodrigues, aluno da primeira série da Taquara, sobre estar envolvido em um evento desse porte e a importância que tem para o seu futuro.

Fernando Venancio, diretor do Ícone Colégio e Curso, abriu a celebração com palavras de satisfação e agradecimento: “Nós estamos realizando mais um grande sonho, ao estar aqui nessa casa para consolidar um trabalho que foi desenvolvido desde abril. Para começarmos, eu gostaria que vocês aplaudissem essas pessoas que foram responsáveis por isso: cada um de nossos professores. A vocês, em primeiro lugar, muito obrigado.” Depois seguiu com a leitura do prefácio do livro Des#conectado, que contém textos, charges e desenhos de alunos do 6º ano do ensino fundamental ao pré-vestibular.

“Acreditamos que este trabalho, feito por muitas mentes e mãos, proporcionou, no mínimo, um intervalo para se pensar sobre como estamos nos relacionando com os outros e conosco mesmos nesse ambiente virtual onde todos falam, mas ninguém escuta; onde todos postam, mas ninguém enxerga; onde se busca a aprovação de pessoas que não têm legitimidade para isso; onde a aparência é mais relevante do que a essência.”, diz Fernando no prefácio da obra.

A pesquisa, o estudo e o empenho para refletir essas questões, tornou a conclusão do projeto redação de 2018 ainda mais especial na opinião da aluna Ana Clara Sena da segunda série do Pechincha: “Eu vou fazer uma dama do século XIX no Brasil para representar como eram as famílias de antes e como são as de hoje. Foi muito diferente participar desse projeto, porque ele foi muito grande, nós fomos achar roupa, todo mundo se empenhou, é um projeto da turma toda, a escola se importa muito com isso, foi muito legal.”

Durante as mais de três horas de evento, os alunos se revezaram no palco do Ribalta para declamar, cantar, dançar, interpretar e se desafiar como disseram as alunas Ana Luiza Passos da primeira série do Pechincha, “Às vezes, a gente fica muito nervosa e com pensamento que não vai conseguir, que a gente vai desistir, ou não está dando o nosso máximo, mas afinal a gente tá dando o nosso máximo, o máximo que a gente pode, que a gente consegue. E é sempre uma experiência nova fazer tudo isso para várias pessoas, porque você sente orgulho de você mesmo, de ter conseguido fazer algo”, e Maria Luiza da primeira série da Taquara, “a gente passa o ano todo se preocupando com o projeto, o ano todo preparando várias coisas diferentes e esse tá sendo desafiador: o Ribalta tá lotando cada vez mais! Mas, deu tudo certo.”

Nos intervalos, curtas feitos pelos alunos durante o projeto des#conectados foram passados no telão da casa. Eles provocaram risos e reflexões. Duas bandas do Colégio Ícone também se apresentaram: a dos alunos e a dos professores, ambas regidas pelo professor e maestro Sandro Bittencourt.

A estrutura de apresentação do projeto de redação 2018 integrou alunos, professores e pais em momentos de grande conexão presencial, sem perder a oportunidade de fazer vídeos, fotos e mostrar com orgulho tudo o que ali acontecia pelas redes sociais. Isso sinaliza o quanto o projeto des#conectados é atual e relevante, como disse Fernando Venancio no final do prefácio do livro: “Desejamos que […] você também seja conduzido a um momento ímpar de análise crítica desse tema, a qual o permita ver, no horizonte, um caminho muito estreito, ainda em construção, mas que pode ser uma alternativa equilibrada e saudável para a relação do ser humano com as mudanças que ele mesmo criou, de modo que a conexão com a realidade virtual não substitua o olhar, o aperto de mão, o carinho, o abraço e a companhia de quem mais importa.”

 

 

Setembro Amarelo

Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo é uma campanha iniciada no Brasil pelo CVV (Centro de Valorização da Vida); CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), desde o ano de 2015. A campanha objetiva a conscientização e prevenção do suicídio, com o foco em alertar a população da realidade presente. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo, quase 800 mil pessoas por ano.
 
O Ministério da Saúde afirma que o suicídio é complexo e de múltiplas determinações e atinge pessoas de diversas classes sociais, raças e orientações sexuais. Todavia, essa tragédia pode ser evitada! Saber identificar os sinais em si mesmo e no outro é imprescindível para que a prevenção aconteça.
Manifestações verbais de insatisfação podem servir como sinais de alerta, como: “Vou desaparecer!”; “Ninguém está nem aí mesmo!”; “Só queria dormir e nunca mais acordar!”. Em muitos casos, essas frases podem ser interpretadas como chantagem emocional ou “drama”. Pessoas sob risco de suicídio apresentam baixa autoestima e visão negativa de seu futuro. O isolamento também é um dos sintomas.
 
Os pensamentos e sentimentos que provocam o desejo de acabar com a própria vida podem ser insuportáveis, a ponto de o indivíduo não conseguir, ao menos, pedir ajuda. Em alguns casos, isso pode acontecer pelo medo do julgamento e por acharem que a dor é de fato impossível de ser vencida. Mas, essa ajuda existe e é possível vencer a dor! Não deixar de pedir ajuda, de falar com alguém em quem se pode confiar e de procurar suporte profissional. O CVV é o Centro de Valorização da Vida e conta com centenas de profissionais voluntários preparados para atender qualquer pessoa que se encontra nessa situação, através de atendimento presencial, chat online, e-mail e ligações através no número 188.
 
Diante de pessoas que estão sob risco de suicídio, é necessário saber ouvi-los, respeitar suas dores, sem julgamentos. Incentivar que procurem ajuda de um profissional de saúde mental. Ao perceber que uma pessoa está sob risco imediato, é fundamental evitar que fique sozinha e assegurar que ela não tenha contato com meios que possam acabar com sua vida.
 
Karen Venancio – Psicóloga
CRP:05/4380
Ícone Colégio e Curso – Unidade Pechincha
Projeto Multidisciplinar – Diga Não ao Racismo

Projeto Multidisciplinar – Diga Não ao Racismo

Reflexão e emoção marcam o encontro com o ator Lázaro Ramos em “Memórias da Minha Pele”

Emocionante. Essa é a palavra que descreve cada minuto do encontro entre o ator Lázaro Ramos e o Ícone Colégio e Curso durante a tarde do dia quatro de setembro. O evento Memórias da Minha Pele, o qual reuniu 450 pessoas na unidade Pechincha, faz parte do projeto interdisciplinar Diga Não ao Racismo que acontece desde fevereiro deste ano.
O que estava previsto para ser uma palestra acerca do racismo e dos assuntos contidos em seu mais novo livro “Na Minha Pele” da Editora Companhia das Letras, acabou se tornando um grande debate envolvendo perguntas e respostas sobre carreira, racismo, panorama político e perspectivas para um mundo melhor.

Durante a abertura do evento, o coordenador do projeto, Professor Vagner Lima, relembrou a tragédia do Museu Nacional e afirmou o quão marcante seria o presente momento. “Mesmo com a tristeza que ainda habita nosso coração por conta do incêndio que destruiu o Museu Nacional, nós estamos aqui hoje fazendo história; mesmo que o nosso país ainda não tenha aprendido a valorizar a sua”, conclui.
Ao dar início a esse momento, alunos e alunas da unidade Taquara (primeiro ano do ensino médio) realizaram uma dança africana, remetendo a uma saudação ao rei africano. Guilherme Rodrigues, Giovana Costa, Maria Eduarda Rodrigues, Thais Helena e Itamar Jorge deram vida às raízes africanas a cada movimento. Em seguida, foi a vez da apresentação elaborada pelas alunas Helena Cristina, Aline Lins e Ana Luiza Passos (primeiro ano do ensino médio) da unidade Pechincha. Sob os ritmos de Formation e This is America, as alunas relembraram as lutas do povo negro e demais situações enfrentadas antiga e atualmente pelo mesmo.
E não parou por aí. A última apresentação teve como um dos principais objetivos causar reflexões. O jogral, que antigamente era a forma como as classes mais humildes divertiam o público, causou também lágrimas, impacto e o sentimento de luta. Edson Morais, Julia Correia, Anna Isabelle, Gabriela Rodrigues e Ana Beatriz, autora do poema, prenderam a atenção de todos do início ao fim, aos brados de “resistência é o nosso nome!”.
Emocionada, a estudante Anna Isabelle (16) afirma que através do projeto e com a ajuda da sua amiga Ana Beatriz, conseguiu se reconhecer como negra. “Sempre disseram que eu era moreninha, sempre tentava esconder a minha verdadeira identidade, até mesmo da minha família. Vendo agora o que as pessoas passam, o movimento em si, esse sentimento de igualdade, de luta, eu vejo que no fundo todos fazem parte disso. É maravilhoso você reconhecer o seu passado e acho que ninguém deveria fugir disso. Eu sinto que estava falando com todos os que sofriam e eu queria agradecer ao Ícone por essa oportunidade e à Bia, incrível finalmente poder lutar”, conta.
Autora do poema, a Ana Beatriz (15), conta o que estava sentindo no momento em que escreveu cada palavra. “É um sentimento muito grande de mudança. A gente vive em uma geração que agora tem voz e eu acho que a forma que eu escolhi de canalizar essa angústia foi a poesia. Por conta da minha idade não posso fazer coisas que outros militantes do movimento negro fazem, mas conscientizar e falar sobre isso nos momentos em que eu tenho espaço é essencial. Espero que meu poema tenha causado incômodo e esperança. A mensagem que eu quero passar é de resistência”, conclui.

Após as apresentações artísticas, a secretária Lilian Karen proferiu palavras emocionantes acerca da necessidade do debate sobre o racismo e o quão é maléfico para a sociedade. “Infelizmente a violência do racismo é estrutural e estruturante. Está presente na forma de pensar e agir, presente no mercado ao renegar aos negros oportunidade de trabalho; presente na mídia que ainda tem dificuldade de representar a pluralidade das cores e cabelos do brasil; nas novelas que ainda colocam o negro de forma caricata e muitas vezes violenta. Gostaria de abrir um parêntese aqui e agradecer muito aos meus diretores por não ter enxergado a cor da minha pele, mas por ter a loucura de colocar uma secretaria negra, resistente e reexistente na secretaria de uma escola particular, muito obrigada”, afirmou emocionada.
Ao dar início à sua fala, Lázaro Ramos demonstrou estar surpreso e emocionado com as três apresentações que o antecederam. “Eu acho que vocês hoje provaram que essa conversa que se inicia no livro já está em outro estágio. Quando eu chego aqui e vejo essas apresentações que foram feitas, a dança africana, a apresentação tendo This is America como referência, a poesia que é algo que na época em que eu estava na escola ninguém teria coragem de escrever e apresentar; tudo isso era silenciado. Vocês já estão construindo alguma coisa, já estão fazendo e se posicionando”, conclui o ator. A partir de então, alunos e alunas iniciaram uma série de perguntas, as quais o ator prometeu não dar uma resposta fácil, porém, teriam informações suficientes para refletir e pensar em novas soluções para a ferida ainda aberta do racismo.
Ao conversar com o coordenador do projeto, Vagner explica como surgiu a ideia do projeto interdisciplinar. “Eu cheguei no Ícone esse ano e gosto muito desses temas transversais, os que perpassam todas as disciplinas. Pensando nisso, apresentei à direção a proposta de trabalhar em 2018 com o racismo, até porque tem algumas datas simbólicas como os 50 anos da morte do Martin Luther King, 100 anos do Nelson Mandela, e 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A partir disso passamos o ano inteiro falando sobre racismo nas suas mais variadas formas e nas mais variadas disciplinas”, conta.
O projeto Diga Não ao Racismo teve início no dia sete de fevereiro e terminará em novembro com a Semana da Consciência Negra envolvendo uma mega exposição com trabalhos como o livro que conta a história de 15 heroínas negras brasileiras que será apresentado em um grande varal com diversos cordéis; apresentações artísticas e o jogral.

O projeto é subdividido em micro e macro ações: as pequenas, realizadas dentro da própria disciplina, e as maiores como a exposição voltada para o dia internacional da mulher com negras que representaram algo pra luta contra o racismo; a reescritura de I Have a Dream voltado para a realidade de alunos e alunas, dentre outras. “O nosso maior objetivo é conscientizar, pois para muita gente o racismo não existe. A gente vem provando para os alunos que existe sim e que não é velado como achamos que seja, pelo contrário, é nítido. Então trouxemos o Lázaro Ramos que afirma ‘eu fui vítima e ainda sou vítima de racismo’, sendo assim a prova a qual a gente precisa para embasar nosso discurso. Todo o projeto gira em torno da conscientização”, explica o coordenador.
Da necessidade da reflexão e do reconhecimento de que o racismo existe, nasceu o projeto multidisciplinar, uma vez que atualmente não é tão fácil encontrar espaços que se predispõem a discutir isso e o Ícone está alinhando o conteúdo a essa discussão.
Confira abaixo a entrevista exclusiva do Colégio Ícone com o ator Lázaro Ramos:

Quais são os objetivos da palestra e do livro?
Lázaro: Eu quero continuar a conversa que se inicia nos livros. Tudo o que eu tenho escrito até então é para falar sobre identidade, preconceito, mas nunca de uma forma em que as respostas são fáceis ou estão prontas. Eu acho que esse assunto é tão importante que a gente precisa conversar sobre ele e com o máximo de pessoas possível. Vir a uma escola onde é justamente o lugar para a gente buscar respostas, produzir novas narrativas é o ideal.

O projeto interdisciplinar Diga Não ao Racismo, envolve diversas ações e a sua palestra é uma delas. O que levou você a vir até aqui e conversar sobre isso com estudantes?
Quando a gente fala sobre preconceito, há muitos mitos e frases feitas se perpetuando. O fato de eu ter escrito esse livro que tem tido uma boa aceitação, ter um trabalho como ator que faz com que o coração das pessoas já estejam um pouco aberto e receba esse discurso de uma maneira diferente, faz com que a gente possa dialogar sobre o assunto sem a frase feita e sem achar que a resposta está pronta. Eu acredito profundamente que só vamos conseguir melhorar essa situação das discriminações do nosso país quando a gente conversar de verdade sobre isso e não quando a gente ficar vomitando verdades, apontando dedos pra lugares sem a gente se sentir como parte do problema e da solução.

De que forma você espera que o seu livro e o evento possam contribuir para a conscientização acerca do combate ao racismo?
Eu espero que mais dúvidas apareçam. Eu acho isso importante. Poucas coisas eu dou respostas muito definidas ou dou opiniões que sejam a grande verdade. Eu sempre provoco muito pois a gente tem que começar a ter dúvida, repensar e fazer com que eles pensem em outras soluções, pois as soluções das gerações mais antigas estão um pouco ultrapassadas e a gente precisa provocar novas reflexões.

Foto do autor e escritor, Lázaro Ramos, palestrando no Ícone Colégio e Curso

#Ensinoquepermanece