Setembro Amarelo

Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo é uma campanha iniciada no Brasil pelo CVV (Centro de Valorização da Vida); CFM (Conselho Federal de Medicina) e ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), desde o ano de 2015. A campanha objetiva a conscientização e prevenção do suicídio, com o foco em alertar a população da realidade presente. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio no mundo, quase 800 mil pessoas por ano.
 
O Ministério da Saúde afirma que o suicídio é complexo e de múltiplas determinações e atinge pessoas de diversas classes sociais, raças e orientações sexuais. Todavia, essa tragédia pode ser evitada! Saber identificar os sinais em si mesmo e no outro é imprescindível para que a prevenção aconteça.
Manifestações verbais de insatisfação podem servir como sinais de alerta, como: “Vou desaparecer!”; “Ninguém está nem aí mesmo!”; “Só queria dormir e nunca mais acordar!”. Em muitos casos, essas frases podem ser interpretadas como chantagem emocional ou “drama”. Pessoas sob risco de suicídio apresentam baixa autoestima e visão negativa de seu futuro. O isolamento também é um dos sintomas.
 
Os pensamentos e sentimentos que provocam o desejo de acabar com a própria vida podem ser insuportáveis, a ponto de o indivíduo não conseguir, ao menos, pedir ajuda. Em alguns casos, isso pode acontecer pelo medo do julgamento e por acharem que a dor é de fato impossível de ser vencida. Mas, essa ajuda existe e é possível vencer a dor! Não deixar de pedir ajuda, de falar com alguém em quem se pode confiar e de procurar suporte profissional. O CVV é o Centro de Valorização da Vida e conta com centenas de profissionais voluntários preparados para atender qualquer pessoa que se encontra nessa situação, através de atendimento presencial, chat online, e-mail e ligações através no número 188.
 
Diante de pessoas que estão sob risco de suicídio, é necessário saber ouvi-los, respeitar suas dores, sem julgamentos. Incentivar que procurem ajuda de um profissional de saúde mental. Ao perceber que uma pessoa está sob risco imediato, é fundamental evitar que fique sozinha e assegurar que ela não tenha contato com meios que possam acabar com sua vida.
 
Karen Venancio – Psicóloga
CRP:05/4380
Ícone Colégio e Curso – Unidade Pechincha
Projeto Multidisciplinar – Diga Não ao Racismo

Projeto Multidisciplinar – Diga Não ao Racismo

Reflexão e emoção marcam o encontro com o ator Lázaro Ramos em “Memórias da Minha Pele”

Emocionante. Essa é a palavra que descreve cada minuto do encontro entre o ator Lázaro Ramos e o Ícone Colégio e Curso durante a tarde do dia quatro de setembro. O evento Memórias da Minha Pele, o qual reuniu 450 pessoas na unidade Pechincha, faz parte do projeto interdisciplinar Diga Não ao Racismo que acontece desde fevereiro deste ano.
O que estava previsto para ser uma palestra acerca do racismo e dos assuntos contidos em seu mais novo livro “Na Minha Pele” da Editora Companhia das Letras, acabou se tornando um grande debate envolvendo perguntas e respostas sobre carreira, racismo, panorama político e perspectivas para um mundo melhor.

Durante a abertura do evento, o coordenador do projeto, Professor Vagner Lima, relembrou a tragédia do Museu Nacional e afirmou o quão marcante seria o presente momento. “Mesmo com a tristeza que ainda habita nosso coração por conta do incêndio que destruiu o Museu Nacional, nós estamos aqui hoje fazendo história; mesmo que o nosso país ainda não tenha aprendido a valorizar a sua”, conclui.
Ao dar início a esse momento, alunos e alunas da unidade Taquara (primeiro ano do ensino médio) realizaram uma dança africana, remetendo a uma saudação ao rei africano. Guilherme Rodrigues, Giovana Costa, Maria Eduarda Rodrigues, Thais Helena e Itamar Jorge deram vida às raízes africanas a cada movimento. Em seguida, foi a vez da apresentação elaborada pelas alunas Helena Cristina, Aline Lins e Ana Luiza Passos (primeiro ano do ensino médio) da unidade Pechincha. Sob os ritmos de Formation e This is America, as alunas relembraram as lutas do povo negro e demais situações enfrentadas antiga e atualmente pelo mesmo.
E não parou por aí. A última apresentação teve como um dos principais objetivos causar reflexões. O jogral, que antigamente era a forma como as classes mais humildes divertiam o público, causou também lágrimas, impacto e o sentimento de luta. Edson Morais, Julia Correia, Anna Isabelle, Gabriela Rodrigues e Ana Beatriz, autora do poema, prenderam a atenção de todos do início ao fim, aos brados de “resistência é o nosso nome!”.
Emocionada, a estudante Anna Isabelle (16) afirma que através do projeto e com a ajuda da sua amiga Ana Beatriz, conseguiu se reconhecer como negra. “Sempre disseram que eu era moreninha, sempre tentava esconder a minha verdadeira identidade, até mesmo da minha família. Vendo agora o que as pessoas passam, o movimento em si, esse sentimento de igualdade, de luta, eu vejo que no fundo todos fazem parte disso. É maravilhoso você reconhecer o seu passado e acho que ninguém deveria fugir disso. Eu sinto que estava falando com todos os que sofriam e eu queria agradecer ao Ícone por essa oportunidade e à Bia, incrível finalmente poder lutar”, conta.
Autora do poema, a Ana Beatriz (15), conta o que estava sentindo no momento em que escreveu cada palavra. “É um sentimento muito grande de mudança. A gente vive em uma geração que agora tem voz e eu acho que a forma que eu escolhi de canalizar essa angústia foi a poesia. Por conta da minha idade não posso fazer coisas que outros militantes do movimento negro fazem, mas conscientizar e falar sobre isso nos momentos em que eu tenho espaço é essencial. Espero que meu poema tenha causado incômodo e esperança. A mensagem que eu quero passar é de resistência”, conclui.

Após as apresentações artísticas, a secretária Lilian Karen proferiu palavras emocionantes acerca da necessidade do debate sobre o racismo e o quão é maléfico para a sociedade. “Infelizmente a violência do racismo é estrutural e estruturante. Está presente na forma de pensar e agir, presente no mercado ao renegar aos negros oportunidade de trabalho; presente na mídia que ainda tem dificuldade de representar a pluralidade das cores e cabelos do brasil; nas novelas que ainda colocam o negro de forma caricata e muitas vezes violenta. Gostaria de abrir um parêntese aqui e agradecer muito aos meus diretores por não ter enxergado a cor da minha pele, mas por ter a loucura de colocar uma secretaria negra, resistente e reexistente na secretaria de uma escola particular, muito obrigada”, afirmou emocionada.
Ao dar início à sua fala, Lázaro Ramos demonstrou estar surpreso e emocionado com as três apresentações que o antecederam. “Eu acho que vocês hoje provaram que essa conversa que se inicia no livro já está em outro estágio. Quando eu chego aqui e vejo essas apresentações que foram feitas, a dança africana, a apresentação tendo This is America como referência, a poesia que é algo que na época em que eu estava na escola ninguém teria coragem de escrever e apresentar; tudo isso era silenciado. Vocês já estão construindo alguma coisa, já estão fazendo e se posicionando”, conclui o ator. A partir de então, alunos e alunas iniciaram uma série de perguntas, as quais o ator prometeu não dar uma resposta fácil, porém, teriam informações suficientes para refletir e pensar em novas soluções para a ferida ainda aberta do racismo.
Ao conversar com o coordenador do projeto, Vagner explica como surgiu a ideia do projeto interdisciplinar. “Eu cheguei no Ícone esse ano e gosto muito desses temas transversais, os que perpassam todas as disciplinas. Pensando nisso, apresentei à direção a proposta de trabalhar em 2018 com o racismo, até porque tem algumas datas simbólicas como os 50 anos da morte do Martin Luther King, 100 anos do Nelson Mandela, e 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A partir disso passamos o ano inteiro falando sobre racismo nas suas mais variadas formas e nas mais variadas disciplinas”, conta.
O projeto Diga Não ao Racismo teve início no dia sete de fevereiro e terminará em novembro com a Semana da Consciência Negra envolvendo uma mega exposição com trabalhos como o livro que conta a história de 15 heroínas negras brasileiras que será apresentado em um grande varal com diversos cordéis; apresentações artísticas e o jogral.

O projeto é subdividido em micro e macro ações: as pequenas, realizadas dentro da própria disciplina, e as maiores como a exposição voltada para o dia internacional da mulher com negras que representaram algo pra luta contra o racismo; a reescritura de I Have a Dream voltado para a realidade de alunos e alunas, dentre outras. “O nosso maior objetivo é conscientizar, pois para muita gente o racismo não existe. A gente vem provando para os alunos que existe sim e que não é velado como achamos que seja, pelo contrário, é nítido. Então trouxemos o Lázaro Ramos que afirma ‘eu fui vítima e ainda sou vítima de racismo’, sendo assim a prova a qual a gente precisa para embasar nosso discurso. Todo o projeto gira em torno da conscientização”, explica o coordenador.
Da necessidade da reflexão e do reconhecimento de que o racismo existe, nasceu o projeto multidisciplinar, uma vez que atualmente não é tão fácil encontrar espaços que se predispõem a discutir isso e o Ícone está alinhando o conteúdo a essa discussão.
Confira abaixo a entrevista exclusiva do Colégio Ícone com o ator Lázaro Ramos:

Quais são os objetivos da palestra e do livro?
Lázaro: Eu quero continuar a conversa que se inicia nos livros. Tudo o que eu tenho escrito até então é para falar sobre identidade, preconceito, mas nunca de uma forma em que as respostas são fáceis ou estão prontas. Eu acho que esse assunto é tão importante que a gente precisa conversar sobre ele e com o máximo de pessoas possível. Vir a uma escola onde é justamente o lugar para a gente buscar respostas, produzir novas narrativas é o ideal.

O projeto interdisciplinar Diga Não ao Racismo, envolve diversas ações e a sua palestra é uma delas. O que levou você a vir até aqui e conversar sobre isso com estudantes?
Quando a gente fala sobre preconceito, há muitos mitos e frases feitas se perpetuando. O fato de eu ter escrito esse livro que tem tido uma boa aceitação, ter um trabalho como ator que faz com que o coração das pessoas já estejam um pouco aberto e receba esse discurso de uma maneira diferente, faz com que a gente possa dialogar sobre o assunto sem a frase feita e sem achar que a resposta está pronta. Eu acredito profundamente que só vamos conseguir melhorar essa situação das discriminações do nosso país quando a gente conversar de verdade sobre isso e não quando a gente ficar vomitando verdades, apontando dedos pra lugares sem a gente se sentir como parte do problema e da solução.

De que forma você espera que o seu livro e o evento possam contribuir para a conscientização acerca do combate ao racismo?
Eu espero que mais dúvidas apareçam. Eu acho isso importante. Poucas coisas eu dou respostas muito definidas ou dou opiniões que sejam a grande verdade. Eu sempre provoco muito pois a gente tem que começar a ter dúvida, repensar e fazer com que eles pensem em outras soluções, pois as soluções das gerações mais antigas estão um pouco ultrapassadas e a gente precisa provocar novas reflexões.

Foto do autor e escritor, Lázaro Ramos, palestrando no Ícone Colégio e Curso

#Ensinoquepermanece

SETEMBRO AMARELO: A FORÇA DA EMPATIA

SETEMBRO AMARELO: A FORÇA DA EMPATIA

“Nós nunca sabemos o que cada pessoa enfrenta”. Com essa frase, mergulhamos no mês de setembro. Mês este dedicado à prevenção do suicídio. E por que falar do suicídio é algo tão importante e necessário nos dias de hoje? Por razões bem simples, mas muito preocupantes:
• em 2015, foram 11.736 casos de suicídios registrados;
• deste total, 79% são homens e 21% mulheres;
• é a 4ª maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos;
• o principal meio é o envenenamento ou intoxicação (58% dos casos)*.
É preciso conscientizar as pessoas deste problema tão grave e atual, que tem tirado a vida de muitas pessoas. Por isso a campanha “Setembro Amarelo” vem nos mostrar a importância do diálogo, de se conversar sobre o assunto, de fazê-lo deixar de ser um tabu, mostrar às pessoas que elas não estão sozinhas, colocar-se verdadeiramente no lugar do outro e, por fim, dizer que a morte não é a solução.

Vários são os motivos que podem levar alguém ao suicídio. E nós jamais saberemos o que cada pessoa enfrenta. Por isso, a empatia é crucial nesse momento. Ter a capacidade de colocar-se no lugar do outro, entender seu sofrimento, ser companheiro em sua solidão, ajudar sem julgar, simplesmente estar ao lado. Inúmeros são os casos que poderiam ter sido evitados se nossos olhares fossem mais atentos às necessidades dos outros. Na maioria das vezes, estamos presos em nosso individualismo, buscando satisfazer apenas nossas necessidades e nos esquecemos que vivemos em um coletivo, que somos seres relacionais, que estabelecer vínculos é uma necessidade do ser humano.

A ação do Setembro Amarelo nos convida a olhar o outro, respeitando sua história, entendendo suas limitações e ajudá-lo a levantar-se. E você pode ajudar de inúmeras formas. O Centro de Valorização da Vida (CVV) possui um número exclusivo de telefone (188) para atender quem passa por esse problemas. São pessoas aptas a agirem nesses momentos.

Todos nós podemos ajudar alguém. Todos podemos fazer a diferença na vida das pessoas. Não precisam ser grandes ações. Quando nos dermos conta da força que temos, poderemos fazer desse mundo um lugar melhor. “A empatia é a força mais poderosamente perturbadora do mundo, só fica atrás do amor”, já dizia a escritora norte-americana Anita Nowak. Não tenha receios em usar essa força para fazer algo para aliviar a dor que o outro sente.

* Dados divulgados pelo Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM).

Prof. Vagner Lima