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Muito tem se ouvido sobre a ansiedade. Vivemos em uma sociedade extremamente ansiosa, na qual todos sofrem por antecipação, por não acreditarem na sua capacidade. Buscam cada vez mais coisas de que não necessitam, e esse desejo de ter sempre mais, associada à rapidez e à evolução das tecnologias tornaram as pessoas apressadas, a ponto de uma espera por algo simples se tornar uma verdadeira tortura.

Você já sentiu aquele frio na barriga antes de uma prova? Já tremeu ao, saber que teria de falar em público? Ficou esperando muito por algo e essa espera te causava certa agonia? É bem provável que o sim seja sua resposta para todas essas indagações. Todos nós já ficamos ou ficaremos ansiosos em algum momento da nossa vida. A espera por algo que queremos causa uma ansiedade, a qual é, até certo ponto, normal. Quando queremos muito algo, esperamos que aconteça rapidamente. No entanto, esse sentimento de forma excessiva pode se configurar em um transtorno que prejudica, não apenas a vida acadêmica, mas também todo o convívio social do indivíduo.

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), os transtornos de ansiedade compartilham característica de medo e ansiedade excessivas e perturbações comportamentais. O medo é a resposta emocional a uma ameaça iminente real ou percebida e a ansiedade é a antecipação de uma ameaça futura.  Existem alguns tipos de transtornos de ansiedade, dentre eles estão: o transtorno de ansiedade social, também conhecido como fobia social, que é resumidamente uma ansiedade referente ao contato social, situações nas quais o indivíduo tem de ser exposto socialmente e isso lhe gera um desconforto exorbitante. A síndrome do pânico é caracterizada também como um transtorno de ansiedade, que se refere a ataques de pânico inesperados e recorrentes, com sintomas de medo e/ou desconforto intenso.

Infelizmente, no cenário social que conhecemos hoje, existem muitas pessoas que sofrem com a ansiedade, tanto que se configurou como o mal do século. Essa ansiedade, em alguns casos, dá-se pela insegurança diante do olhar do outro. O que eles vão pensar de mim?” “Será que vou ser aceito?” “E se eu falar algo errado?” Algumas pessoas fazem esses questionamentos diariamente, pois têm necessidade da aprovação e, ao mesmo tempo, medo da reprovação das pessoas para com ela. Na adolescência, isso se torna ainda mais intenso, uma vez que, nessa fase da vida, está-se em processo de mudança, tanto no sentido físico, quanto cognitivo e afetivo.  No ambiente escolar, não é diferente. Mudar de escola, ter de conviver com pessoas que ainda não conhece, a adaptação a um novo ambiente também gera ansiedade e apreensão. As provas são grandes geradores desse sentimento, pois reeditam questionamentos como: Será que eu vou me dar mal?”  “Será que vão achar que sou burro?”.

Estudos evidenciam que a ansiedade é uma das grandes responsáveis pelo baixo rendimento escolar, pois afeta a capacidade de memorizar conteúdos, prejudica a atenção e o interesse pelo assunto a respeito do que está sendo ensinado, porque a mente está no motivo gerador da ansiedade. Além disso,  atrapalha também a relação com os colegas e com os professores. Essa ansiedade causa um medo de se expor socialmente, principalmente em situações de avaliação, por receio de não conseguir dizer o que gostaria e ser motivo de chacota entres os colegas.

Sabe-se que a ansiedade é um problema real, que prejudica a relação social, acadêmica e emocional do indivíduo, por isso é necessário a ajuda de um profissional de saúde mental para tratar essas questões. Muitos são os fatores que podem desencadear um transtorno de ansiedade, sendo assim esse profissional direcionará o indivíduo a tratar o motivo gerador da ansiedade.

 

Karen Venancio

CRP 05/4380

Psicóloga do Ícone Colégio e Curso