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“Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”. Esta frase, 

muito bem escrita, rica em significados e extremamente profunda, é o primeiro artigo de uma das declarações mais importante atualmente em todo o mundo: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, da ONU – Organização das Nações Unidas.

O que mais me chama atenção quando leio este artigo é que tudo que ali está escrito parece tão óbvio, tão básico, mas, se pararmos um instante apenas para refletir, perceberemos que liberdade e igualdade em dignidade em direitos ainda são conceitos tão distantes da nossa realidade.

 

Nas lutas travadas na humanidade sempre existiram protagonistas e parceiros. Esses conceitos sempre ficaram martelando na minha mente.

 

Quando as muitas lutas com as quais nos identificamos, mas que não são nossas diretamente, nos convidam a sair da nossa apatia, nos convidam a tomar algum posicionamento, somos considerados parceiros nesta luta. Apoiamos a causa porque acreditamos nela, mas não somos a personagem principal.

 

Hoje, fico olhando para as lutas que travamos em nossa existência. Percebo que ficamos nos revezando nas posições de protagonistas e parceiros. E isso não nos torna mais ou menos importantes em nossas batalhas. Mas sim imprescindíveis.

 

Segundo o Atlas da Violência 2017, no Brasil, a cada 100 pessoas assassinadas, 71 são negras. Ainda de acordo com o Atlas, o feminicídio de negras aumentou 54% enquanto de brancas diminuiu 10%. As mulheres negras também são mais vitimadas pela violência doméstica. Mais da metade da população prisional brasileira é composta por negros e pardos. E as estatísticas continuam em diversas outras áreas: educação, saúde, divisão de riquezas, desemprego etc.

 

Discutir a questão da discriminação racial é ter a capacidade crítica de olhar para a realidade e perceber que o racismo ainda está entranhado em nosso comportamento enquanto sociedade. Somos racistas. Mas esse fato não é uma condenação. É algo que pode e deve ser mudado. Mesmo que isso implique muito trabalho.

 

Não importa se você é negro, branco, homem, mulher, criança, adulto… nenhum desses rótulos torna você melhor ou pior do que qualquer outro ser humano. Torna apenas diferente. E essa diferença deve ser respeitada!

 

Nossa obrigação enquanto seres humanos é nos tornarmos protagonistas em algumas lutas e parceiros em outras para que todos possamos ser livres, iguais em dignidade e em direitos. Só assim conseguiremos atingir a profundeza de significado presente neste primeiro artigo da Declaração dos Direitos Humanos.

 

E assim, juntos, nesta corrente de protagonistas e parceiros veremos nascer em nós este espírito de fraternidade tão sonhado, tão desejado, mas, às vezes, tão distante da nossa realidade!

 

Por isso, no ano em que celebramos os 100 anos do nascimento de Nelson Mandela e os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e lembramos os 50 anos da morte de Martin Luther King, é de fundamental relevância discutir a respeito da discriminação racial. Pensando nisso, o ÍCONE COLÉGIO E CURSO elaborou um projeto com o objetivo de conscientizar todos os envolvidos sobre a necessidade de combater toda e qualquer forma de racismo, criando o sentimento de todos somos responsáveis por esse luta, seja como protagonistas ou parceiros.

O Projeto Multidisciplinar DIGA NÃO AO RACISMO terá inúmeras ações ao longo do ano e sua culminância acontecerá na Semana da Consciência Negra, em novembro. Nossa esperança reside na famosa frase de Mahatma Gandhi, nos convidando a sermos a “mudança que queremos ver no mundo”. Um mundo livre do mal do racismo começa com as nossas ações. Sejamos a mudança! Façamos a mudança!

 

Professor Vagner Lima

Coordenador do Ensino Fundamental II