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08 de março: pelo direito a uma nova memória

Ilustração de uma mulher, com borboletas e coração, em homenagem ao dia internacional da mulhner

O 08 de março é uma data importante no calendário global para construção da perspectiva e memória de luta das mulheres, que, ao longo da história, lida(ra)m com o desafio real de conquistar uma posição de direitos concedidos e de vida plena nos diversos setores da sociedade. A data, oficializada em 1975 em assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU), alude, também, ao incêndio ocorrido na fábrica têxtil Triangle Shirtwaist Company, em Nova York, no ano de 1911, em decorrência do qual mais de uma centena de mulheres trabalhadoras, em condições insalubres e precárias de emprego, morreram.

Apesar da data marcar uma luta por reivindicação a alguns direitos alcançados pela luta das mulheres, ainda hoje, vive-se um drama histórico de ser mulher numa conjuntura que não valoriza o gênero. E drama mais específico é o vivido por mulheres cujas marcações sociais apontam outros históricos de negligência ética: negras, brancas, indígenas – ser mulher é necessitar viver em estado de luta para, ainda, constituir uma sociedade cujas condições de trabalho sejam repensadas e reconfiguradas numa perspectiva igualitária. Assim, a diferença salarial entre homens e mulheres com a mesma formação educacional, ao ocuparem o mesmo cargo, como pode-se inferir a partir de dados do IBGE, não será uma realidade em muitas instituições empregadoras.

Ser mulher é viver em estado de luta para, também, que seu trabalho não remunerado tenha a devida importância. Afinal, já parou para pensar que a forma como nossa casa, geralmente administrada pelas mulheres, são lugares de paz, saúde, felicidade e conforto porque existe uma integrante, a mãe, que não raras vezes cumpre jornadas duplas e triplas para manter esse ambiente que é de responsabilidade coletiva?
Ser mulher é viver em estado de luta para, urgentemente, viver num contexto de segurança em que não se sintam ameaçadas de sair às ruas sozinhas (em qualquer período do dia) e tenham liberdade de estar no transporte público, por exemplo, sem ter seu corpo negligenciado, seja por um olhar constrangedor, seja por um toque inconveniente – ambos os atos tipificados como violência sexual vivida por mulheres diariamente.

Ser mulher é viver em estado de luta para desfazer cenários e cenários em que sua condição é atribuída como inferior, para que nossas meninas cresçam com a referência de que suas habilidades e características as tornam potentes, e não seus corpos sexualizados por canções e pelas distintas imagens divulgadas sobre o que, equivocamente, é ser “uma mulher de verdade”.

Sejam Amélias, sejam Ofélias; sejam Marias, sejam Valentinas, o dia 08 de março, além de rememorar a luta e reivindicação necessárias para conquista de direitos de gênero (não alcançados por completo), é dia de internacionalmente pensarmos a realidade ainda vivida pelas mulheres a fim de que possamos, sobretudo, construir outros futuros possíveis em que ser mulher seja legítima representação e efetivo reconhecimento do que já nos constitui: força, competência, coragem, ousadia e felicidade plena.